Emilia Pardo Bazán, condessa de Pardo Bazán, (Corunha, 16 de setembro de 1851 — Madrid, 12 de maio de 1921) foi uma nobre e aristocrata, romancista, jornalista, ensaísta, crítica literária, poetisa, tradutora, dramaturga, editora, catedrática e conferencista galega espanhola, introdutora do naturalismo em Espanha. Foi também uma das principais precursoras do feminismo e da luta pelos direitos das mulheres durante o século XIX e inícios do século XX, falando publicamente sobre a necessidade de reivindicar o direito e livre acesso à instrução e educação das mulheres para a obtenção de uma sociedade igualitária. Entre a sua vasta obra literária, é mais reconhecida pelo romance "Los pazos de Ulloa" de 1886 e o ensaio literário "La cuestión palpitante" de 1883.
Biografia
Nascida a 16 de setembro de 1851 na Corunha, cidade que sempre apareceu nos seus romances sob o nome de "Marineda", Emilia Antonia Socorro Josefa Amalia Vicenta Eufemia Pardo Bazán y de la Rúa-Figueroa era a única filha de José Pardo Bazán y Mosquera Rivera, advogado, político liberal e conde de Pardo-Bazán, e Amalia Rúa-Figueroa y Somoza, herdeira das casas fidalgas de Zanfoga, em Vilasantar, e Tamou, em Présaras, sendo ambos descendentes de famílias galegas da alta aristocracia espanhola e do marechal e conde Pardo de Cela (1425-1483).
Apesar das fortes raízes católicas e nobres da sua família, o seu pai era um conhecido orador do pensamento livre e activista pelos direitos das mulheres em Espanha durante os primeiros anos do século XIX, proporcionando à sua filha, desde pequena idade, a melhor educação que lhe era possível, fomentando essencialmente o seu amor pela literatura. Como tal, vivendo alternadamente entre a Galiza e Madrid, durante a sua juventude, Emilia foi instruída em casa, com tutores privados, e num colégio francês na capital espanhola, sendo introduzida às obras literárias de La Fontaine e Jean Racine, assim como a várias obras clássicas, como a "Ilíada" de Homero, e a obras icónicas da literatura espanhola, como "Dom Quixote" de Miguel de Cervantes. Com nove anos compôs os seus primeiros versos, aos treze escreveu a sua primeira novela, "Aficiones peligrosas", e aos quinze o seu primeiro conto, intitulado "Un matrimonio del siglo XIX". Pouco depois, viajou para França, onde foi fortemente influenciada pela obra do autor francês Victor Hugo. Rejeitando seguir as modas e as ideias preconcebidas sobre o papel da mulher na sociedade, que limitavam a sua aprendizagem e liberdade de escolha, para além da literatura, Emilia optou por estudar História, Filosofia e vários idiomas como o francês, inglês e alemão, terminando os seus estudos sem poder ingressar na universidade tal como desejava, por à época não ser autorizado o ingresso do sexo feminino no ensino superior.