Alfred Dreyfus (AFI [alfrɛː drify]; Mulhouse, 9 de outubro de 1859 — Paris, 12 de julho de 1935) foi um capitão da artilharia do exército francês, de fé e origem judaica. Injustamente acusado e condenado por traição - depois anistiado e reabilitado - foi personagem central de um famoso episódio de conotações sociais e políticas, durante a Terceira República Francesa, que ficou conhecido como o caso Dreyfus.
Origens e formação
Nascido em Mulhouse, na Alsácia, em uma família judaica alsaciana, Dreyfus cresceu num contexto marcado pela derrota de 1870. Após a anexação da região pelo Império Alemão (1871), seu pai, Raphaël Dreyfus, optou em 1872 por manter a nacionalidade francesa — decisão que, pelo Tratado de Frankfurt (10 de maio de 1871), exigia que os “optantes” deixassem a terra natal; a família passou então a viver fora da Alsácia e, em 1874, Alfred estabeleceu-se em Paris.
Fiel à França desde jovem, decidiu seguir a carreira militar ainda adolescente, após testemunhar a entrada dos prussianos em Mulhouse aos 11 anos. Ingressou na École polytechnique (1878) e, depois, na École de guerre; em 1892, concluiu esta última com menção très bien, classificado em 9.º lugar, sendo designado oficial estagiário no Estado-Maior do Ministério da Guerra. Apesar do excelente desempenho, as partes subjetivas do processo seletivo — a chamada cote d’amour (nota de aptidão ao serviço de Estado-Maior) — prejudicaram-no por preconceito antissemita de avaliadores, incluindo um “5” atribuído pelo general Bonnefond, que lhe custou pontos no resultado final.