Retrato de Gertrude Lowthian Bell
Foto: Historia/REX/Shutterstock.com (according to Brittanica.com) · Wikimedia Commons

Autor

Gertrude Lowthian Bell

1868–1926

Nascimento
14 de julho de 1868, Washington
Morte
12 de julho de 1926, Bagdá
Nacionalidade
Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda
Ocupação
Explorador, arqueóloga, escritora, montanhista e diplomata

Vida e obra

Gertrude Margaret Lowthian Bell (14 de julho de 1868 – 12 de julho de 1926) foi uma escritora, viajante, administradora, arqueóloga e funcionária pública inglesa. Dedicou grande parte de sua vida à exploração e ao mapeamento do Oriente Médio, tornando-se uma figura influente na formulação da política imperial britânica para a região graças ao seu profundo conhecimento do mundo árabe e aos contatos que estabeleceu durante suas extensas viagens. Durante sua vida, foi altamente respeitada e contou com a confiança de autoridades britânicas, como o Alto Comissário para a Mesopotâmia, Percy Cox, o que lhe conferiu considerável influência política. Participou brevemente da Conferência de Paz de Paris de 1919 e da Conferência do Cairo de 1921, encontros que ajudaram a definir as fronteiras territoriais e os governos do Oriente Médio após a Primeira Guerra Mundial, como parte da partilha do Império Otomano. Bell acreditava que o nacionalismo árabe era um movimento irreversível e defendia que o governo britânico deveria aliar-se aos nacionalistas, em vez de combatê-los. Ao lado de T. E. Lawrence, defendeu a criação de Estados árabes independentes no Oriente Médio após o colapso do Império Otomano e apoiou a instalação de monarquias haxemitas nos territórios que hoje correspondem à Jordânia e ao Iraque.

Bell cresceu em um ambiente privilegiado, que lhe proporcionou acesso à educação na Universidade de Oxford, além da oportunidade de viajar pelo mundo e conhecer pessoas que mais tarde se tornariam importantes formuladoras de políticas públicas. Durante suas expedições, destacou-se como montanhista e amazona. Demonstrava grande fascínio pelo Oriente Médio, visitando o Irã da Dinastia Cajar, a Síria-Palestina, a Mesopotâmia, a Ásia Menor e a Península Arábica. Participou de escavações arqueológicas em um período marcado por importantes descobertas e financiou pessoalmente uma escavação em Binbirkilise, na Ásia Menor. Entre 1913 e 1914, percorreu a região de Ha'il, no norte da Península Arábica, tornando-se uma das pouquíssimas pessoas ocidentais a conhecer aquela área naquela época.

A eclosão da Primeira Guerra Mundial, em agosto de 1914, seguida pela entrada do Império Otomano no conflito ao lado da Alemanha alguns meses depois, alterou profundamente a situação política do Oriente Médio. Bell integrou por um breve período o Bureau Árabe, no Cairo, onde trabalhou ao lado de T. E. Lawrence. A pedido do amigo da família, Lord Hardinge, vice-rei da Índia, ingressou em 1917 na administração britânica da Mesopotâmia otomana. Atuou como oficial política e como Secretária Oriental de três altos comissários, tornando-se a única mulher a ocupar cargos civis de tão alto escalão no Império Britânico. Também apoiou os esforços da população sunita, predominantemente urbana, em seu projeto de modernização do Iraque.

Bell passou grande parte do restante de sua vida em Bagdá e desempenhou um papel fundamental na construção do Estado que mais tarde se tornaria o Reino do Iraque. Conheceu e desenvolveu amizade com numerosos iraquianos, tanto nas cidades quanto nas áreas rurais, e tornou-se conselheira e aliada do novo rei do Iraque, Faiçal I. Nos últimos anos de sua vida, acabou sendo gradualmente afastada da política iraquiana. Possivelmente percebendo que ela ainda desejava permanecer ativa, Faisal a nomeou Diretora Honorária de Antiguidades do Iraque, função na qual retornou à sua grande paixão: a arqueologia. Nesse cargo, contribuiu para a modernização dos procedimentos arqueológicos e para a catalogação dos achados, medidas que ajudaram a reduzir o saque ilegal de artefatos históricos. Também apoiou a educação das mulheres iraquianas, presidiu a biblioteca de Bagdá — que posteriormente daria origem à Biblioteca Nacional do Iraque, e fundou o Museu do Iraque, destinado à preservação e exposição do patrimônio arqueológico do país. Morreu em 1926 em consequência de uma overdose de medicamentos para dormir, em um caso possivelmente tratado como suicídio, embora sua saúde já estivesse bastante debilitada.

Bell foi uma autora extremamente prolífica. Traduziu uma coletânea de poesia persa, publicou diversos livros relatando suas viagens, aventuras e escavações arqueológicas e enviou regularmente cartas à Inglaterra durante a Primeira Guerra Mundial. Essas correspondências exerceram influência sobre o pensamento do governo britânico em uma época em que poucos ingleses possuíam conhecimento aprofundado sobre o Oriente Médio contemporâneo.

Texto: “Gertrude Bell”, da Wikipédia, a enciclopédia livre, sob a licença CC BY-SA 4.0. Datas e fatos: Wikidata.

Acervo

Livros de Gertrude Lowthian Bell

4 livros