Retrato de Jean-Jacques Rousseau
Foto: Maurice Quentin de La Tour · Wikimedia Commons

Autor

Jean-Jacques Rousseau

Filósofo, escritor e compositor genebrino (1712–1778)

Nascimento
28 de junho de 1712, Genebra
Morte
2 de julho de 1778, Ermenonville
Nacionalidade
República de Genebra
Ocupação
Filósofo, compositor de música clássica, musicólogo, romancista e autobiógrafo
Movimento
Filosofia do Iluminismo e Música barroca
Obras notáveis
Emílio, ou Da Educação · Do Contrato Social · Júlia ou A Nova Heloísa · As Confissões

Vida e obra

Jean-Jacques Rousseau (Genebra, 28 de junho de 1712 – Ermenonville, 2 de julho de 1778) foi escritor, filósofo e músico. Sua mãe morreu poucos dias depois de seu nascimento, e ele cresceu entre a casa do pai relojoeiro e a de parentes, antes de sair de Genebra ainda adolescente. Os livros lhe deram projeção por toda a Europa, mas também o puseram em conflito com autoridades religiosas e civis na França e em Genebra. As mudanças frequentes de residência vieram acompanhadas de uma desconfiança cada vez mais intensa em relação às pessoas à sua volta.

Rousseau procurou primeiro abrir caminho na música. Compôs a ópera Le Devin du village (1752) e, a convite do amigo Denis Diderot, escreveu os verbetes musicais da Enciclopédia. Embora participasse do meio intelectual do Iluminismo, afastou-se do materialismo ateu de Diderot e deu ao sentimento e à consciência moral um lugar que o distinguia de Voltaire. Afirmou a existência de Deus a partir da experiência da natureza e do senso íntimo do bem e do mal, expondo sua crença na Profissão de fé do vigário saboiano, incorporada ao Emílio.

O Discurso sobre as Ciências e as Artes, premiado em 1750 e publicado em 1751, trouxe-lhe fama. No Discurso sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homens (1755), elaborou uma história hipotética de como as relações sociais poderiam gerar desigualdade e corromper a bondade natural do ser humano. Em Do Contrato Social (1762), examinou as condições de uma comunidade justa, regida por leis nascidas da vontade geral do povo e adequadas à história e aos costumes de cada corpo político. Atribuiu a soberania ao povo e defendeu sua participação direta na legislação, embora preferisse um governo executivo exercido por uma aristocracia eleita, sem caráter hereditário. Leu autores antigos, sobretudo Plutarco, e dialogou com filósofos e juristas de seu tempo. Criticou em especial os sistemas de Thomas Hobbes e John Locke que, a seu ver, assentavam a política no interesse e na dependência econômica.

O romance epistolar Júlia ou A Nova Heloísa (1761) levou a um público amplo o conflito entre o amor e as diferenças de condição social. Convencido de que as pessoas podem se aperfeiçoar, Rousseau apresentou em Emílio, ou Da Educação (1762) um programa que acompanha a criança do berço à idade adulta. Seus adversários lhe cobraram então a decisão de entregar aos Enfants-Trouvés os cinco filhos que, segundo seu próprio relato, teve com Thérèse Levasseur, com quem conviveu por mais de trinta anos e cuja união reconheceu publicamente em 1768. Condenado pelas autoridades francesas e impedido de permanecer em Genebra e em Berna, refugiou-se na Inglaterra em 1766. Lá trabalhou em As Confissões, publicado depois de sua morte, no qual procurou contar sua formação intelectual e afetiva, inclusive episódios de que se envergonhava. Nos últimos anos, voltou-se à observação de seus sentimentos e ao prazer de caminhar pela natureza em Os Devaneios do Caminhante Solitário.

Seu túmulo em Ermenonville atraiu visitantes franceses, prussianos e ingleses logo depois de sua morte. Durante a Revolução Francesa, suas ideias sobre a soberania popular, as leis e os vínculos entre os cidadãos foram retomadas em debates políticos. Seus restos mortais foram levados ao Panteão de Paris em 1794. Sua escrita e suas reflexões sobre política, educação e a passagem da natureza à cultura alcançaram leitores como Immanuel Kant e, mais tarde, estudiosos da antropologia.

Texto: “Jean-Jacques Rousseau”, da Wikipédia, a enciclopédia livre, sob a licença CC BY-SA 4.0. Datas e fatos: Wikidata.

Acervo

Livros de Jean-Jacques Rousseau

5 livros