Retrato de Niccolò Machiavelli
Foto: Santi di Tito · Wikimedia Commons

Autor

Niccolò Machiavelli

Diplomata, político e teórico militar italiano (1469–1527)

Nascimento
3 de maio de 1469, Florença
Morte
21 de junho de 1527, Sant'Andrea in Percussina
Nacionalidade
República de Florença
Ocupação
Escritor, político, historiador, filósofo e teórico político
Movimento
Alta renascença
Obras notáveis
O Príncipe · Discursos sobre a Primeira Década de Tito Lívio · Capitoli

Vida e obra

Nicolau Maquiavel (em italiano, Niccolò di Bernardo dei Machiavelli; Florença, 3 de maio de 1469 – 21 de junho de 1527) foi um humanista florentino do Renascimento italiano.

Escreveu sobre política, história e guerra, além de poesia e teatro. Durante catorze anos, trabalhou para a República de Florença e cumpriu missões diplomáticas junto ao papado e à corte francesa. A experiência lhe permitiu observar de perto as disputas pelo poder. Ao lado de Tucídides, é situado entre os precursores do realismo nas relações internacionais. Suas obras mais conhecidas são O Príncipe e os Discursos sobre a Primeira Década de Tito Lívio.

Seus escritos tiveram influência sobre pensadores do Estado como Jean Bodin, Thomas Hobbes e John Locke, além de renovar o interesse pela conscrição, presente na República Romana. As interpretações de Maquiavel divergem sobretudo na relação entre política e moral. Para Leo Strauss, essa separação marca a passagem da filosofia política clássica à moderna. Seguindo o huguenote Innocent Gentillet, Strauss leu Maquiavel como um "mestre do mal", numa interpretação do maquiavelismo ligada à fraude, ao cinismo e ao imoralismo. Benedetto Croce, por sua vez, viu nele um realista que distinguia os fatos políticos dos valores morais. Nessa leitura, a ação política enfrenta o conflito entre a ética da responsabilidade e a ética da convicção formulado por Max Weber. Maquiavel também foi visto como precursor de Francis Bacon, do empirismo e de uma ciência baseada na observação dos fatos.

Em sua obra, a política envolve mudanças, conflitos e rupturas violentas. O uso da força é uma possibilidade, mas convencer os outros também exige retórica. Aos governantes cabe exercer a virtù, conceito que reúne habilidade, iniciativa e percepção das oportunidades para enfrentar as circunstâncias adversas. Alguns intérpretes, como Friedrich Nietzsche, ressaltam o caráter aristocrático do governante descrito por Maquiavel. Outros observam que, numa república aberta à participação política, muitas pessoas podem desenvolver a virtù necessária para enfrentar esses desafios.

Nos Discursos, Maquiavel expõe suas ideias republicanas, que influenciaram as revoluções inglesas do século XVII e correntes republicanas posteriores à Revolução Americana e à Revolução Francesa. Jean-Jacques Rousseau leu O Príncipe como uma sátira da tirania, não como um modelo de governo. A interpretação republicana voltou a ganhar força no fim do século XX com os estudos de J. G. A. Pocock e Quentin Skinner. Outros autores relacionaram o pensamento de Maquiavel às guerras mundiais e à ascensão dos totalitarismos. Charles Benoist atribuiu a diversidade dessas leituras à distância entre o pensamento de Maquiavel, o de seus discípulos, o de seus adversários e o de quem nunca o leu.

Texto: “Nicolau Maquiavel”, da Wikipédia, a enciclopédia livre, sob a licença CC BY-SA 4.0. Datas e fatos: Wikidata.

Acervo

Livros de Niccolò Machiavelli

3 livros